domingo, 29 de setembro de 2013

“Atmosferas”

Quem explora a fundo os extras dos dvd´s e blue rays, sempre vai encontrar, descobrir e se beneficiar e muito de lições teóricas e  práticas sobre um set de cinema, que muitos cursos não ensinam. Empenhada em aprender a atuar para cinema, e entender como se dá o processo, não só tenho  frequentado cursos de interpretação para este formato, como tenho procurado assistir e estudar filmes nacionais e estrangeiros nos quais a direção está a serviço do trabalho dos atores e atrizes.

Eu admiro  muito o trabalho de diretores e diretoras que trabalham  em processo “colaborativo” no set de seus filmes. Porque embora tenham mão firme sobre seus projetos  e o que querem dízer para alcançar  o público estão sempre abertos as sugestões e contribuições que seus artistas podem trazer a parte criativa de sua obra audiovisual.

São cineastas que dominam  muito a técnica e a linguagem de cinema, mas que não se contentam em ficar somente  diante do monitor. Estão ao contrário, sempre perto de seus atores e atrizes, os encorajando, estimulando, rindo, brincando.  Sabem enquadrar, manuseiam as filmadoras com perfeição, mas estão fundamentalmente perto de seu elenco, a ponto  dos artistas de seus filmes muitas vezes inteferirem muito mais no processo fílmico. E quando isto ocorre no set, todos ficam estimulados e trabalham de forma visceral e com paixão. Cada profissional desempenhando com entrega a função que lhe foi atribuída.



















Eu adoro ver os diretores em plena atividade e loucura criativa no set de seus filmes. Já vi alguns até se emocionarem com a atuação que conseguiram capturar de seus atores e atrizes. Gosto de ver os diretores andando pelo set,  em momentos inusitados com o elenco e sua equipe, conversando com os artistas, pensando no que ainda podem explorar na cena ou na próxima sequência. 










Se aprende tanto assistindo os extras dos dvd´s. Sinceramente, eu gosto de assistir os filmes no  cinema, mas parte da magia deles também está nos bastidores. Quando verificamos as dificuldades, os acertos, os erros, e todo o trabalho desenvolvido para se chegar a uma obra cinematográfica. É emocionante usufruir um pouco desta mágica, que é a realização de um filme, por trás das câmeras.




A Má Educação - Imagens de Filmagem





















Tenho observado nestes bastidores, que muitas vezes o roteiro é apenas um estímulo, uma referência para os artistas envolvidos no processo. O que torna o trabalho realmente enriquecedor e criativo são as sugestões, idéias e experiências que os artistas acrescentam antes da filmagem. As próprias locações alteram as marcações, influenciam mudanças na interpretação e direção dos atores, e algumas vezes sugerem mudanças nos diálogos e nas cenas.  Até os ensaios, quando ocorrem antes dos preparativos da filmagem, já possibilitam modificações que enriquecem ainda mais a encenação.  Agora entendo porque a parceria diretor e ator é  fundamental em um filme.









Sugestão de Leitura:
Filmes para assistir e explorar com os extras:  O Vestido de Paulo Thiago, Três Efes de Carlos Gerbase, Jogo Subterrâneo de Roberto Gervitz, Beije quem você quiser de Michel Blanc e A Flôr do meu segredo de Pedro Almodóvar e A Dupla Vida de Veronique de K. Kieslowski. Porque além de muito bem realizados e filmados confirmam o que falei acima a respeito do trabalho e relação ator e diretor.



sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Saindo do Rascunho



Quando decidi ter "um canal no youtube", o objetivo não era só para mostrar meu trabalho, mas falar, refletir, elogiar, e enaltecer por meio da seleção de vídeos, a arte e as atividades de pessoas cujo trabalho nas mais diferentes áreas da comunicação humana, contribuem para que a manifestação artística seja uma experiência  reveladora sobre a vida, a história e a condição humana.

Queria também ter acesso a conteúdos disponibilizados por pessoas com as mais diferentes formações para aprender e expandir conhecimentos sobre as artes em todas as suas formas de expressão como a dança, a televisão, o cinema, o teatro, o jornalismo, a música, o diálogo, a fotografia, as entrevistas. E fazendo uso desse conhecimento partilhado no  youtube,  aplicar os conteúdos relevantes em atividades profissionais do dia a dia. Interagir ao assistir os vídeos.  Refletir, pensar e comentar os temas.
O mundo virtual tem sido um forte aliado na minha educação. Tem me possibilitado durante o estudo com os vídeos selecionar, organizar e criticar informações que posso ou não transformar em conhecimento na prática. A possibilidade de usar imagens e vídeos que  confirmem, reforcem ou ilustrem uma idéia,  um conceito ou um  assunto é uma grande oportunidade de aprender, ensinar ou expandir  minha formação. Portanto, pela escolha e seleção do material a ser compartilhado, há uma proposta estética, conceitual, reflexiva e didática que, orienta e norteia os temas escolhidos e a serem vinculados no canal.


Assim, como uso o teatro e a dança como ferramentas de crescimento e  autoconhecimento, estou usando a internet em busca de trabalho, contatos, experiência e para expandir e praticar conteúdos e temas que estou tendo em cursos, oficinas e workshops que estou frequentando.

Antes de organizar o conteúdo no canal, ficava perdida com o acesso a tantas informações, tendo muitas vezes de desenhar, escrever e realizar notas para absorver  o material disponibilizado. Agora, basta acessar  o material quantas vezes eu quiser e assistir o vídeo compartilhado por internautas e profissionais,  para em um ambiente apropriado como uma sala de aula ou estúdio de dança transformar estes temas visuais em experiências físicas mais  acessíveis.  Estudar por conta própria também é um desafio que nos obriga a desenvolver características como disciplina, organização e dedicação. Mas vale a pena se a pessoa consegue explorar didaticamente todo este conteúdo e acervo de informações  em um material que pode ser utilizado para a prática e o entendimento de um assunto.
Se a web permite a construção coletiva de conhecimento, e desenvolver o pensamento de  forma crítica e colaborativa, porque não ter um canal que me possibilita-se verificar como diferentes profissionais e artistas exploram pedagogicamente o mesmo tema  e sob que perspectiva.




O principal objetivo do canal é permitir a mim e aos visitantes que tem os mesmos interesses, afinidades e paixão com os temas  artísticos e  técnicos selecionados, estuda-los, praticá-los ou desfruta-los de alguma maneira.
A autonomia na construção do conhecimento me seduziu na internet. Porque tem me possibilitado expandir o que quero compreender e desenvolver como conhecimentos e habilidades, bastando para esta tarefa apenas um click.


















sábado, 15 de junho de 2013

ACERTANDO O PASSO EM DESCOMPASSO

Desde o início de minha trajetória como artista, aprendi que era necessário ter coragem e ousadia para experimentar e desenvolver novas linguagens ou formas de expressão artística. Aprendi também, que era preciso me adaptar a diferentes condições de trabalho e dificuldades. Porque algumas vezes, as condições de trabalho ou do espaço para as apresentações cênicas não serão as melhores. Já me apresentei em colégios, em garagem, na rua, em festas de aniversário e casamentos, antes de chegar a um bom teatro ou eventos universitários. Posso afirmar que independentemente das condições físicas ou materiais dos espaços nos eventos, o que move os artistas a se arriscarem em terreno movediço é a sua paixão a arte da representação e o empenho para mostrar seus trabalhos cênicos depois de prontos. 
 
Quando me apresentei com o trabalho “Andanzas  y Visiones Españolas” na Faculdade de Letras, adaptei e incorporei a falta de infraestrutura do espaço, a ausência de iluminação dirigida e um tablado de madeira à dinâmica da minha proposta de encenação. Sem condições de explorar um trabalho de sapateado mais percussivo, tentei equilibrar os momentos de dança com uma expressão corporal mais teatral. Aproveitei o espaço aberto e a proximidade do público universitário para visualizar e tentar recriar o que seria o espaço dos artistas de rua.

Ao contrário do que ocorreu na Faculdade de Letras, a SAPO 98, foi o evento mais profissional e gratificante que tive a oportunidade de participar com o meu grupo e convidados. Pela maneira como fomos tratados desde a inscrição no evento. Os realizadores não só nos trataram como artistas profissionais, como nos forneceram às condições físicas e de infraestrutura para um espetáculo que envolvia flamenco e teatro. Foi maravilhoso participar de um evento artístico bem realizado, com a presença de artistas conceituados e de prestígio do mercado artístico paulista. Já nos eventos do colégio Heitor Carusi, com Planta y Tacón e Las Niñas Infantiles, o trabalho cênico enfatizou mais a dança flamenca que a representação teatral. Uma vez que o espaço aberto e a interação com o público nos possibilitou investir em um trabalho coreográfico montado em quadros independentes, que criassem a atmosfera de um tablao espanhol.

Eventos culturais como o Arena conta Arena 50 anos, Ciclo Novos Talentos, Dramaturgias, VI Mostra de Dramaturgia do SEMDA, Três Vezes Rua, Dança em Foco, Territórios da Dança, Dança pelos Ares, Semana de arte e cultura da Poli, Encontro dos Amantes de Arte Flamenca e outros dos quais tive a sorte de participar, foram  iniciativas enriquecedoras para os artistas participantes e para  o público, não só pelo lazer mas também de  um tremendo aprendizado. Eventos nota 10, propiciados por companhias de dança e grupos de teatro envolvidos em projetos que, tinham como objetivo não só levar aos interessados formas de cultura e entretenimento, mas também relacionar o seu trabalho artístico a um exercício de cidadania.  A experiência artística tem que ser enriquecedora não só para os artistas, como também democrática para ser partilhada com o público. Senão, de nada vale o esforço e o empenho. Já que numerosos obstáculos precisam ser vencidos até chegarmos a uma apresentação pública. Atuar e encenar em espaços não convencionais que, não seja um teatro (o tradicional palco italiano), cria uma relação mais espontânea, de maior abertura, e uma maior intimidade entre os artistas e o público, devido a proximidade. Independente do espaço, o que vale mesmo é a proposta cênica e o profissionalismo de cada artista, para lidar com dificuldades e o inesperado.
Experimentar e se arriscar para crescer e se aperfeiçoar constantemente é um desafio para todos. Sobre riscos,descobertas, desafios,experimentação e criação coletiva
vou falar mais adiante em uma postagem intitulada “No palco, em coma”. 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Olhos atentos ou uma recepção renovada do fazer artístico

 
Eu já fui uma atriz cerebral e intelectual demais. Graças aos cursos nas áreas de dança e cinema, aprendi a ser uma atriz mais intuitiva, sensorial e espontânea. Uma atriz mais orgânica e visceral. Prossigo lendo, estudando e conhecendo teorias sobre atuação, mas não me agrada mais aceitar métodos ou regras fixas que não permitem  flexibilidade quando o tema é interpretação.  Tenho procurado a inspiração para criar e atuar no que vejo no meu cotidiano, buscar inspiração na matéria humana da vida real.  Como na dança, busco uma expressão corporal mais simples, intensa, e econômica na gestualidade e sentimentos.  Criar explorando a simplicidade do gesto, da palavra, do silêncio é o que mais tem me interessado. Explorar bem a respiração e o relaxamento corporal para ficar mais disponível e sensível para a criação e expansão na hora de atuar. Meu empenho tem sido investir em uma linguagem corporal mais orgânica, espontânea mais próxima da nossa realidade.
Claro que se faz necessário a um artista ter ampla cultura, curiosidade intelectual, domínio de idiomas, estar atento ás informações do mundo que o cercam para ser crítico e reflexivo no que diz respeito às relações de poder e mudanças que ocorrem na sociedade. Conhecimento é importante, e ter conteúdo para estruturar uma boa pesquisa ajuda a ter material humano para se construir um personagem. Mas confesso que, recentemente estou mais interessada em me afastar da técnica e trabalhar mais com a intuição, o improviso, o inesperado, os impulsos e o que possa resultar da comunhão e troca de energia entre os atores e atrizes em cena. Dependendo da área de atuação, sem descuidar do intelecto, insisto em dizer que cada artista deve investir em um preparo corporal e vocal para deixar seu corpo estimulado e aquecido para a criação. Há muitos trabalhos corporais que podem ajudar neste preparo, e cada um deve escolher o seu de acordo com as suas necessidades e dificuldades. Eu escolhi a "dança flamenca" para o meu preparo corporal e como um suporte criativo, porque este estilo de dança me ajudou a educar e aperfeiçoar o meu corpo para explorar suas potencialidades físicas e emocionais. Mas há outras propostas interessantes como mímica, pantomima, contato improvisação, canto, bioenergética, kundaline, yoga, danças circulares,  pilates, eutonia, técnica Alexander.


O importante é que independentemente do treino corporal escolhido,  cada artista deve utilizar este preparo para alargar sua capacidade interpretativa em cena.
Li , estou estudando os conteúdos e recomendo sobre atuação, corpo e expressão corporal:
 
O papel do corpo no corpo do ator. Sonia Machado de Azevedo. Editora Perspectiva. São Paulo.2004.
Klauss Viana, do coreógrafo ao diretor. Joana Ribeiro da Silva Tavares. Editora Annablume. Brasília. DF:CAPES.2010.
Trabalhar com Grotowski, sobre ações físicas. Thomas Richards. Tradução Patrícia Furtado de Mendonça. Editora Perspectiva. São Paulo.2012.
A Porta Aberta: reflexões sobre a interpretação e o teatro. Peter Brook. Tradução de Antonio Machado. 7ª. Edição. Editora Civilização Brasileira.2011.

FILMES:

 
 
 
SONHOS EM MOVIMENTO de Anne Linsel e Rainer Hoffman e PINA de Win Wenders.
 
Para conhecer o trabalho de Pina Baush, sua dança teatralizada e perceber que, os recursos coreográficos e teatrais podem dialogar e se cruzar livremente e em criações imagéticas, nas quais o corpo é e pode ser o veículo para expressar a vida e os sentimentos no palco, sem necessariamente precisar de palavras.
 
 




 

 

 
 

 
 

domingo, 31 de março de 2013

INTERIOR WRITING



Me sinto feliz e muito agraciada por  estar compartilhando informações, conteúdos e experiências  pessoais e profissionais  neste blog. Saber que as postagens já foram acessadas e lidas em países como os Estados Unidos, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Rússia, Letônia, França, Itália, Angola, Emirados Árabes, Peru, Paraguai, Japão, Egito, Romênia,  Polônia, Ucrânia, Holanda, Portugal e Suécia  é gratificante e um estímulo para continuar a escrever, refletir e dividir  conhecimentos. Amigos e amigas, alunos e alunas deste blog estão assistindo filmes ou realizando leituras indicadas por mim. O exercício da escrita tem me possibilitado refletir e digerir conteúdos teóricos e temáticos que estou praticando em aulas e sala de ensaios. A internet mudou a minha vida e tem me possibilitado não só a oportunidade de aprender, mas tem me possibilitado também um jeito  diferente de trabalhar, me relacionar com pessoas e o mundo e viver. Navegar no universo on line me possibilitou não só mostrar meu trabalho, como conhecer e fazer novos amigos. A web representa para mim um espaço de experimentação no qual posso criar e desenvolver projetos e idéias que tem relação com as minhas áreas de atuação. Tenho consciência de que meu idealismo e autodidatismo podem ser cansativos e irritar algumas vezes, dependendo do tema sobre o qual escrevo e compartilho.  Não estou aqui para impor meus valores e nem minhas convicções. Mas acredito que para uma escrita fluir e ter sentido, é preciso que seu autor(a) escreva sobre o que gosta e sobre o que acredita. Eu penso que é preciso coragem para escrever. Porque de nada vai adiantar ter cultura e conhecimento se a pessoa não souber como aplicá-lo na prática, desenvolvê-lo e atuar com ele.
 
Antes de retomar as postagens que falam sobre “experiências de atuação e interpretação”, gostaria de esclarecer que demorei para atualizar o blog, porque “estudar exige tempo, paciência, persistência e disciplina” para absorver, refletir conteúdos e aplicá-los na prática. Sou professora e também aluna. E os últimos cursos que frequentei me incentivaram a suprir o que o programa dos cursos deixou incompleto. Foi necessário aumentar a bibliografia das apostilas, adquirindo livros que tornassem o aprendizado anterior mais abrangente e com a possibilidade de aprofundar temas que não ficaram claros ou que a carga horária dos cursos não permitiu absorver durante as aulas. Para este primeiro semestre, optei por frequentar cursos, oficinas e workshops que além da base de conhecimento para a área de atuação em cinema e TV, também resultassem em um projeto prático. Um projeto que envolvesse os atores e atrizes nas demais áreas de criação como direção, edição, fotografia, produção, som e direção de arte. Experiências que em breve pretendo comentar e compartilhar por meio da escrita subjetiva e de vídeos.
 
Prefiro ainda não falar o nome da escola de cinema que vou frequentar. Posso apenas dizer que foi muito difícil fazer a escolha. Fui conhecer pessoalmente cada uma delas. Conversei com alunos que as frequentavam. Me interessava saber se era reconhecida  pelo MEC, se o programa pedagógico atendia às minhas expectativas profissionais, se fornecia material didático adequado, se seu corpo docente é qualificado e atuante no mercado de TV e cinema. E se a escola fornecia os recursos tecnológicos para a prática e realização dos filmes. Também verifiquei se poderia sustentar o curso até o final.  E é isso.
 Procuro e tenho buscado prática e vivências nas áreas de cinema e TV para agregar valores, conhecimentos e experiência ao meu trabalho como atriz e ampliar minha área de atuação nestes mercados.  Não vou abandonar meus projetos de dança teatro. Não sei viver sem o flamenco. Mas será preciso muita disciplina, organização e cumprimento de tarefas para levar estes desafios e projetos adiante. Aprecio o estilo “faça você mesmo”. Reconheço, porém, que não é só o autodidatismo e determinação que fazem um profissional. É necessário se conciliar estudo por conta própria com estudo em uma sala de aula. Porque a escola é o único lugar onde poderemos  praticar os conteúdos com a supervisão de professores, exercitarmos nossa capacidade de   liderança e o trabalho em grupo (equipe), trocarmos experiências e fazermos contatos e criarmos um círculo de amigos que poderão ou  não trabalhar conosco no futuro nos projetos que poderemos desenvolver. Tenho aprendido que sem motivação e disciplina, não se chega a objetivos e metas a serem cumpridos e realização profissional.

Leitura enriquecedora:

How to Stop Acting.
COMO PARA DE ATUAR.
 Harold Guskin.
 Introdução de Kevin Kline. Tradução de Denise Weinberg e Eduardo Muniz. São Paulo. Editora Perspectiva. 2012.
 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Dança dramática

Dança dramática ou dança cênica é um termo para o conceito que subjaz e define este projeto: uma combinação de teatro e dança em um conjunto variado que envolve performances, mímica, contato-improvisação, dança flamenca e linguagem teatral. A proposta é estética e curricular para formação de um ator mais versátil e expressivo que, utiliza a dança como uma disciplina corporal capaz de estabelecer uma ligação com o treino interpretativo. Trata-se de uma proposta cênica que não objetiva apenas a atuação em cena, mas enriquecer a interpretação dos artistas envolvidos, incorporando dança às construções cênicas de um espetáculo teatral. O projeto busca se beneficiar e utilizar propostas de trabalhos corporais específicas, possibilitando que a disciplina de expressão corporal restrita às salas de dança, faça parte do cotidiano de profissionais de teatro, enriquecendo suas propostas de construção de cena. O projeto resultou em um espetáculo de dança e teatro que combina estrutura gestual, plástica e poética. Inspirada na dramaturgia de Federico Garcia Lorca coloco em cena um universo femenino inspirado nas suas mulheres.

Buscando e trabalhando na encenação imagens, que remetessem a temas recorrentes do seu universo teatral e poético como a paixão, o medo, a morte, a família, a lua, a infância e paisagens. Paralelamente ao trabalho de estudos, pesquisas e reflexões realizadas sobre sua obra (dramaturgia, antologias poéticas, conferências, e vida), assisti espetáculos que contribuíram para a compreensão deste vasto universo femenino. Cito também a minha participação como atriz nos espetáculos Yerma (2005) e Yerma um experimento (2006), ambos dirigidos por Jamil Dias, que me deram a compreensão humana de sua obra.

Destaco também que o livro “As Faces de Garcia Lorca” de Arturo Berenguer Caríssomo foi a principal fonte de inspiração para a minha criação cênica, uma vez que com este volume consegui analizar sua produção acima citada, à luz de seus clássicos conteúdos de tragicidade e inspiração grega.