Quando me apresentei com o trabalho “Andanzas y Visiones Españolas” na Faculdade de Letras, adaptei e incorporei a falta de infraestrutura do espaço, a ausência de iluminação dirigida e um tablado de madeira à dinâmica da minha proposta de encenação. Sem condições de explorar um trabalho de sapateado mais percussivo, tentei equilibrar os momentos de dança com uma expressão corporal mais teatral. Aproveitei o espaço aberto e a proximidade do público universitário para visualizar e tentar recriar o que seria o espaço dos artistas de rua.
Ao contrário do que ocorreu na Faculdade de Letras, a SAPO 98, foi o evento mais profissional e gratificante que tive a oportunidade de participar com o meu grupo e convidados. Pela maneira como fomos tratados desde a inscrição no evento. Os realizadores não só nos trataram como artistas profissionais, como nos forneceram às condições físicas e de infraestrutura para um espetáculo que envolvia flamenco e teatro. Foi maravilhoso participar de um evento artístico bem realizado, com a presença de artistas conceituados e de prestígio do mercado artístico paulista. Já nos eventos do colégio Heitor Carusi, com Planta y Tacón e Las Niñas Infantiles, o trabalho cênico enfatizou mais a dança flamenca que a representação teatral. Uma vez que o espaço aberto e a interação com o público nos possibilitou investir em um trabalho coreográfico montado em quadros independentes, que criassem a atmosfera de um tablao espanhol.
Eventos culturais como o Arena conta Arena 50 anos, Ciclo Novos Talentos, Dramaturgias, VI Mostra de Dramaturgia do SEMDA, Três Vezes Rua, Dança em Foco, Territórios da Dança, Dança pelos Ares, Semana de arte e cultura da Poli, Encontro dos Amantes de Arte Flamenca e outros dos quais tive a sorte de participar, foram iniciativas enriquecedoras para os artistas participantes e para o público, não só pelo lazer mas também de um tremendo aprendizado. Eventos nota 10, propiciados por companhias de dança e grupos de teatro envolvidos em projetos que, tinham como objetivo não só levar aos interessados formas de cultura e entretenimento, mas também relacionar o seu trabalho artístico a um exercício de cidadania. A experiência artística tem que ser enriquecedora não só para os artistas, como também democrática para ser partilhada com o público. Senão, de nada vale o esforço e o empenho. Já que numerosos obstáculos precisam ser vencidos até chegarmos a uma apresentação pública. Atuar e encenar em espaços não convencionais que, não seja um teatro (o tradicional palco italiano), cria uma relação mais espontânea, de maior abertura, e uma maior intimidade entre os artistas e o público, devido a proximidade. Independente do espaço, o que vale mesmo é a proposta cênica e o profissionalismo de cada artista, para lidar com dificuldades e o inesperado.
Experimentar e se arriscar para crescer e se aperfeiçoar constantemente é um desafio para todos. Sobre riscos,descobertas, desafios,experimentação e criação coletiva
vou falar mais adiante em uma postagem intitulada “No palco, em coma”.
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