sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Saindo do Rascunho



Quando decidi ter "um canal no youtube", o objetivo não era só para mostrar meu trabalho, mas falar, refletir, elogiar, e enaltecer por meio da seleção de vídeos, a arte e as atividades de pessoas cujo trabalho nas mais diferentes áreas da comunicação humana, contribuem para que a manifestação artística seja uma experiência  reveladora sobre a vida, a história e a condição humana.

Queria também ter acesso a conteúdos disponibilizados por pessoas com as mais diferentes formações para aprender e expandir conhecimentos sobre as artes em todas as suas formas de expressão como a dança, a televisão, o cinema, o teatro, o jornalismo, a música, o diálogo, a fotografia, as entrevistas. E fazendo uso desse conhecimento partilhado no  youtube,  aplicar os conteúdos relevantes em atividades profissionais do dia a dia. Interagir ao assistir os vídeos.  Refletir, pensar e comentar os temas.
O mundo virtual tem sido um forte aliado na minha educação. Tem me possibilitado durante o estudo com os vídeos selecionar, organizar e criticar informações que posso ou não transformar em conhecimento na prática. A possibilidade de usar imagens e vídeos que  confirmem, reforcem ou ilustrem uma idéia,  um conceito ou um  assunto é uma grande oportunidade de aprender, ensinar ou expandir  minha formação. Portanto, pela escolha e seleção do material a ser compartilhado, há uma proposta estética, conceitual, reflexiva e didática que, orienta e norteia os temas escolhidos e a serem vinculados no canal.


Assim, como uso o teatro e a dança como ferramentas de crescimento e  autoconhecimento, estou usando a internet em busca de trabalho, contatos, experiência e para expandir e praticar conteúdos e temas que estou tendo em cursos, oficinas e workshops que estou frequentando.

Antes de organizar o conteúdo no canal, ficava perdida com o acesso a tantas informações, tendo muitas vezes de desenhar, escrever e realizar notas para absorver  o material disponibilizado. Agora, basta acessar  o material quantas vezes eu quiser e assistir o vídeo compartilhado por internautas e profissionais,  para em um ambiente apropriado como uma sala de aula ou estúdio de dança transformar estes temas visuais em experiências físicas mais  acessíveis.  Estudar por conta própria também é um desafio que nos obriga a desenvolver características como disciplina, organização e dedicação. Mas vale a pena se a pessoa consegue explorar didaticamente todo este conteúdo e acervo de informações  em um material que pode ser utilizado para a prática e o entendimento de um assunto.
Se a web permite a construção coletiva de conhecimento, e desenvolver o pensamento de  forma crítica e colaborativa, porque não ter um canal que me possibilita-se verificar como diferentes profissionais e artistas exploram pedagogicamente o mesmo tema  e sob que perspectiva.




O principal objetivo do canal é permitir a mim e aos visitantes que tem os mesmos interesses, afinidades e paixão com os temas  artísticos e  técnicos selecionados, estuda-los, praticá-los ou desfruta-los de alguma maneira.
A autonomia na construção do conhecimento me seduziu na internet. Porque tem me possibilitado expandir o que quero compreender e desenvolver como conhecimentos e habilidades, bastando para esta tarefa apenas um click.


















sábado, 15 de junho de 2013

ACERTANDO O PASSO EM DESCOMPASSO

Desde o início de minha trajetória como artista, aprendi que era necessário ter coragem e ousadia para experimentar e desenvolver novas linguagens ou formas de expressão artística. Aprendi também, que era preciso me adaptar a diferentes condições de trabalho e dificuldades. Porque algumas vezes, as condições de trabalho ou do espaço para as apresentações cênicas não serão as melhores. Já me apresentei em colégios, em garagem, na rua, em festas de aniversário e casamentos, antes de chegar a um bom teatro ou eventos universitários. Posso afirmar que independentemente das condições físicas ou materiais dos espaços nos eventos, o que move os artistas a se arriscarem em terreno movediço é a sua paixão a arte da representação e o empenho para mostrar seus trabalhos cênicos depois de prontos. 
 
Quando me apresentei com o trabalho “Andanzas  y Visiones Españolas” na Faculdade de Letras, adaptei e incorporei a falta de infraestrutura do espaço, a ausência de iluminação dirigida e um tablado de madeira à dinâmica da minha proposta de encenação. Sem condições de explorar um trabalho de sapateado mais percussivo, tentei equilibrar os momentos de dança com uma expressão corporal mais teatral. Aproveitei o espaço aberto e a proximidade do público universitário para visualizar e tentar recriar o que seria o espaço dos artistas de rua.

Ao contrário do que ocorreu na Faculdade de Letras, a SAPO 98, foi o evento mais profissional e gratificante que tive a oportunidade de participar com o meu grupo e convidados. Pela maneira como fomos tratados desde a inscrição no evento. Os realizadores não só nos trataram como artistas profissionais, como nos forneceram às condições físicas e de infraestrutura para um espetáculo que envolvia flamenco e teatro. Foi maravilhoso participar de um evento artístico bem realizado, com a presença de artistas conceituados e de prestígio do mercado artístico paulista. Já nos eventos do colégio Heitor Carusi, com Planta y Tacón e Las Niñas Infantiles, o trabalho cênico enfatizou mais a dança flamenca que a representação teatral. Uma vez que o espaço aberto e a interação com o público nos possibilitou investir em um trabalho coreográfico montado em quadros independentes, que criassem a atmosfera de um tablao espanhol.

Eventos culturais como o Arena conta Arena 50 anos, Ciclo Novos Talentos, Dramaturgias, VI Mostra de Dramaturgia do SEMDA, Três Vezes Rua, Dança em Foco, Territórios da Dança, Dança pelos Ares, Semana de arte e cultura da Poli, Encontro dos Amantes de Arte Flamenca e outros dos quais tive a sorte de participar, foram  iniciativas enriquecedoras para os artistas participantes e para  o público, não só pelo lazer mas também de  um tremendo aprendizado. Eventos nota 10, propiciados por companhias de dança e grupos de teatro envolvidos em projetos que, tinham como objetivo não só levar aos interessados formas de cultura e entretenimento, mas também relacionar o seu trabalho artístico a um exercício de cidadania.  A experiência artística tem que ser enriquecedora não só para os artistas, como também democrática para ser partilhada com o público. Senão, de nada vale o esforço e o empenho. Já que numerosos obstáculos precisam ser vencidos até chegarmos a uma apresentação pública. Atuar e encenar em espaços não convencionais que, não seja um teatro (o tradicional palco italiano), cria uma relação mais espontânea, de maior abertura, e uma maior intimidade entre os artistas e o público, devido a proximidade. Independente do espaço, o que vale mesmo é a proposta cênica e o profissionalismo de cada artista, para lidar com dificuldades e o inesperado.
Experimentar e se arriscar para crescer e se aperfeiçoar constantemente é um desafio para todos. Sobre riscos,descobertas, desafios,experimentação e criação coletiva
vou falar mais adiante em uma postagem intitulada “No palco, em coma”. 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Olhos atentos ou uma recepção renovada do fazer artístico

 
Eu já fui uma atriz cerebral e intelectual demais. Graças aos cursos nas áreas de dança e cinema, aprendi a ser uma atriz mais intuitiva, sensorial e espontânea. Uma atriz mais orgânica e visceral. Prossigo lendo, estudando e conhecendo teorias sobre atuação, mas não me agrada mais aceitar métodos ou regras fixas que não permitem  flexibilidade quando o tema é interpretação.  Tenho procurado a inspiração para criar e atuar no que vejo no meu cotidiano, buscar inspiração na matéria humana da vida real.  Como na dança, busco uma expressão corporal mais simples, intensa, e econômica na gestualidade e sentimentos.  Criar explorando a simplicidade do gesto, da palavra, do silêncio é o que mais tem me interessado. Explorar bem a respiração e o relaxamento corporal para ficar mais disponível e sensível para a criação e expansão na hora de atuar. Meu empenho tem sido investir em uma linguagem corporal mais orgânica, espontânea mais próxima da nossa realidade.
Claro que se faz necessário a um artista ter ampla cultura, curiosidade intelectual, domínio de idiomas, estar atento ás informações do mundo que o cercam para ser crítico e reflexivo no que diz respeito às relações de poder e mudanças que ocorrem na sociedade. Conhecimento é importante, e ter conteúdo para estruturar uma boa pesquisa ajuda a ter material humano para se construir um personagem. Mas confesso que, recentemente estou mais interessada em me afastar da técnica e trabalhar mais com a intuição, o improviso, o inesperado, os impulsos e o que possa resultar da comunhão e troca de energia entre os atores e atrizes em cena. Dependendo da área de atuação, sem descuidar do intelecto, insisto em dizer que cada artista deve investir em um preparo corporal e vocal para deixar seu corpo estimulado e aquecido para a criação. Há muitos trabalhos corporais que podem ajudar neste preparo, e cada um deve escolher o seu de acordo com as suas necessidades e dificuldades. Eu escolhi a "dança flamenca" para o meu preparo corporal e como um suporte criativo, porque este estilo de dança me ajudou a educar e aperfeiçoar o meu corpo para explorar suas potencialidades físicas e emocionais. Mas há outras propostas interessantes como mímica, pantomima, contato improvisação, canto, bioenergética, kundaline, yoga, danças circulares,  pilates, eutonia, técnica Alexander.


O importante é que independentemente do treino corporal escolhido,  cada artista deve utilizar este preparo para alargar sua capacidade interpretativa em cena.
Li , estou estudando os conteúdos e recomendo sobre atuação, corpo e expressão corporal:
 
O papel do corpo no corpo do ator. Sonia Machado de Azevedo. Editora Perspectiva. São Paulo.2004.
Klauss Viana, do coreógrafo ao diretor. Joana Ribeiro da Silva Tavares. Editora Annablume. Brasília. DF:CAPES.2010.
Trabalhar com Grotowski, sobre ações físicas. Thomas Richards. Tradução Patrícia Furtado de Mendonça. Editora Perspectiva. São Paulo.2012.
A Porta Aberta: reflexões sobre a interpretação e o teatro. Peter Brook. Tradução de Antonio Machado. 7ª. Edição. Editora Civilização Brasileira.2011.

FILMES:

 
 
 
SONHOS EM MOVIMENTO de Anne Linsel e Rainer Hoffman e PINA de Win Wenders.
 
Para conhecer o trabalho de Pina Baush, sua dança teatralizada e perceber que, os recursos coreográficos e teatrais podem dialogar e se cruzar livremente e em criações imagéticas, nas quais o corpo é e pode ser o veículo para expressar a vida e os sentimentos no palco, sem necessariamente precisar de palavras.
 
 




 

 

 
 

 
 

domingo, 31 de março de 2013

INTERIOR WRITING



Me sinto feliz e muito agraciada por  estar compartilhando informações, conteúdos e experiências  pessoais e profissionais  neste blog. Saber que as postagens já foram acessadas e lidas em países como os Estados Unidos, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Rússia, Letônia, França, Itália, Angola, Emirados Árabes, Peru, Paraguai, Japão, Egito, Romênia,  Polônia, Ucrânia, Holanda, Portugal e Suécia  é gratificante e um estímulo para continuar a escrever, refletir e dividir  conhecimentos. Amigos e amigas, alunos e alunas deste blog estão assistindo filmes ou realizando leituras indicadas por mim. O exercício da escrita tem me possibilitado refletir e digerir conteúdos teóricos e temáticos que estou praticando em aulas e sala de ensaios. A internet mudou a minha vida e tem me possibilitado não só a oportunidade de aprender, mas tem me possibilitado também um jeito  diferente de trabalhar, me relacionar com pessoas e o mundo e viver. Navegar no universo on line me possibilitou não só mostrar meu trabalho, como conhecer e fazer novos amigos. A web representa para mim um espaço de experimentação no qual posso criar e desenvolver projetos e idéias que tem relação com as minhas áreas de atuação. Tenho consciência de que meu idealismo e autodidatismo podem ser cansativos e irritar algumas vezes, dependendo do tema sobre o qual escrevo e compartilho.  Não estou aqui para impor meus valores e nem minhas convicções. Mas acredito que para uma escrita fluir e ter sentido, é preciso que seu autor(a) escreva sobre o que gosta e sobre o que acredita. Eu penso que é preciso coragem para escrever. Porque de nada vai adiantar ter cultura e conhecimento se a pessoa não souber como aplicá-lo na prática, desenvolvê-lo e atuar com ele.
 
Antes de retomar as postagens que falam sobre “experiências de atuação e interpretação”, gostaria de esclarecer que demorei para atualizar o blog, porque “estudar exige tempo, paciência, persistência e disciplina” para absorver, refletir conteúdos e aplicá-los na prática. Sou professora e também aluna. E os últimos cursos que frequentei me incentivaram a suprir o que o programa dos cursos deixou incompleto. Foi necessário aumentar a bibliografia das apostilas, adquirindo livros que tornassem o aprendizado anterior mais abrangente e com a possibilidade de aprofundar temas que não ficaram claros ou que a carga horária dos cursos não permitiu absorver durante as aulas. Para este primeiro semestre, optei por frequentar cursos, oficinas e workshops que além da base de conhecimento para a área de atuação em cinema e TV, também resultassem em um projeto prático. Um projeto que envolvesse os atores e atrizes nas demais áreas de criação como direção, edição, fotografia, produção, som e direção de arte. Experiências que em breve pretendo comentar e compartilhar por meio da escrita subjetiva e de vídeos.
 
Prefiro ainda não falar o nome da escola de cinema que vou frequentar. Posso apenas dizer que foi muito difícil fazer a escolha. Fui conhecer pessoalmente cada uma delas. Conversei com alunos que as frequentavam. Me interessava saber se era reconhecida  pelo MEC, se o programa pedagógico atendia às minhas expectativas profissionais, se fornecia material didático adequado, se seu corpo docente é qualificado e atuante no mercado de TV e cinema. E se a escola fornecia os recursos tecnológicos para a prática e realização dos filmes. Também verifiquei se poderia sustentar o curso até o final.  E é isso.
 Procuro e tenho buscado prática e vivências nas áreas de cinema e TV para agregar valores, conhecimentos e experiência ao meu trabalho como atriz e ampliar minha área de atuação nestes mercados.  Não vou abandonar meus projetos de dança teatro. Não sei viver sem o flamenco. Mas será preciso muita disciplina, organização e cumprimento de tarefas para levar estes desafios e projetos adiante. Aprecio o estilo “faça você mesmo”. Reconheço, porém, que não é só o autodidatismo e determinação que fazem um profissional. É necessário se conciliar estudo por conta própria com estudo em uma sala de aula. Porque a escola é o único lugar onde poderemos  praticar os conteúdos com a supervisão de professores, exercitarmos nossa capacidade de   liderança e o trabalho em grupo (equipe), trocarmos experiências e fazermos contatos e criarmos um círculo de amigos que poderão ou  não trabalhar conosco no futuro nos projetos que poderemos desenvolver. Tenho aprendido que sem motivação e disciplina, não se chega a objetivos e metas a serem cumpridos e realização profissional.

Leitura enriquecedora:

How to Stop Acting.
COMO PARA DE ATUAR.
 Harold Guskin.
 Introdução de Kevin Kline. Tradução de Denise Weinberg e Eduardo Muniz. São Paulo. Editora Perspectiva. 2012.
 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Dança dramática

Dança dramática ou dança cênica é um termo para o conceito que subjaz e define este projeto: uma combinação de teatro e dança em um conjunto variado que envolve performances, mímica, contato-improvisação, dança flamenca e linguagem teatral. A proposta é estética e curricular para formação de um ator mais versátil e expressivo que, utiliza a dança como uma disciplina corporal capaz de estabelecer uma ligação com o treino interpretativo. Trata-se de uma proposta cênica que não objetiva apenas a atuação em cena, mas enriquecer a interpretação dos artistas envolvidos, incorporando dança às construções cênicas de um espetáculo teatral. O projeto busca se beneficiar e utilizar propostas de trabalhos corporais específicas, possibilitando que a disciplina de expressão corporal restrita às salas de dança, faça parte do cotidiano de profissionais de teatro, enriquecendo suas propostas de construção de cena. O projeto resultou em um espetáculo de dança e teatro que combina estrutura gestual, plástica e poética. Inspirada na dramaturgia de Federico Garcia Lorca coloco em cena um universo femenino inspirado nas suas mulheres.

Buscando e trabalhando na encenação imagens, que remetessem a temas recorrentes do seu universo teatral e poético como a paixão, o medo, a morte, a família, a lua, a infância e paisagens. Paralelamente ao trabalho de estudos, pesquisas e reflexões realizadas sobre sua obra (dramaturgia, antologias poéticas, conferências, e vida), assisti espetáculos que contribuíram para a compreensão deste vasto universo femenino. Cito também a minha participação como atriz nos espetáculos Yerma (2005) e Yerma um experimento (2006), ambos dirigidos por Jamil Dias, que me deram a compreensão humana de sua obra.

Destaco também que o livro “As Faces de Garcia Lorca” de Arturo Berenguer Caríssomo foi a principal fonte de inspiração para a minha criação cênica, uma vez que com este volume consegui analizar sua produção acima citada, à luz de seus clássicos conteúdos de tragicidade e inspiração grega.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Um final de cortar o coração

Sou uma atriz dramática. Este gosto pelo drama e paixão pelos conflitos humanos, acredito que vem do fato de gostar de peças teatrais e obras literárias que exploram como tema “a dimensão humana das pessoas”. Seus relacionamentos, como interagem e como modificam a vida umas das outras. Como convivendo coletivamente em vários ambientes e situações, exercitam a paciência, o controle, a tolerância, a perseverança e o amor tentando consertar suas falhas e se melhorar como seres humanos. Temas como família, honra, coragem, superação, fé, confiança, redenção, perdão, esperança, amor, a luta dos oprimidos, a luta contra os abusos sociais, direitos civis e humanos, valores e ideais, justiça e inclusão social, pessoas visionárias que modificam o próprio destino e perseverança para se enfrentar as adversidades no mundo são meus preferidos.

Na universidade li muita literatura brasileira. E aproveitei o acervo das bibliotecas das faculdades de letras e artes cênicas, para ter contato também com a literatura européia, inglesa e latino americana. Durante os seis anos que frequentei a universidade, aproveitei o tempo livre para ler a obra de alguns autores, romancistas e dramaturgos que ainda não conhecia como guy de maupassant, marcel proust, patricia highsmith, charles dickens, valle inclán, harold pinter, leillah assumpção, edy lima, carlos queiróz telles, graciliano ramos, marçal aquino, lewis carrol, mario vargas  llosa, rubem fonseca, fernando arrabal, manuel puig, adamov, sean o´casey, thornton wilder, ernest hemingway,  jules verner, jack london, georg buchner,  dalton trevisan, clarice lispector, jane austen, milton hatoum, louise mary alcott,  jean genet, victor hugo,  jonh steinbeck e pushikin. Foram leituras estimulantes que me fizeram comprender melhor o genero dramático, o conto, a novela, o romance e a ficção.

Gosto também de temas que envolvem “valores e princípios éticos e morais do individuo em conflito com o que é imposto pelo social” que limita sua maneira de ser, agir e pensar como ele quer e almeja. Neste aspecto, em minha opinião federico garcia lorca  e bertholt brecht são os grandes mestres.
Acredito que o “genero dramático” é o que mais dialoga com a realidade porque está muito centrado nas aflições humanas. É um genero que explora muito os dramas pessoais, criando muitos personagens verossímeis com os quais nos identificamos.  Gosto e aprecio muito o drama na literatura, no teatro ou no cinema por ser o genero que mais me permite ter contato com “histórias e momentos próximos do cotidiano real” para aprender mais sobre a vida, pessoas e valores.

Por falar em drama, recentemente assisti “Preciosa”, “Biutiful”, “Segredos de família”, “Por uma vida melhor”, “Terras perdidas”, 
“Faz de conta que eu não estou aqui” e “Há tanto tempo que eu te amo”. Estes filmes mostram que são realmente muito complexas as relações em família. Principalmente, quando os conflitos envolvem diferenças entre gerações, rivalidades de amor, ambição, perdas, brigas, agressões, repressão e poder nos papéis familiares. Não sei se vão concordar comigo, mas já perceberam que nas últimas décadas, a instituição que mais tem sido questionada no cinema é “a família”. A relação entre pais e filhos, embora pareça um tema banal, tem se escrito muito sobre ela na ficção.  Apesar da aparente diversidade de temas e personagens nos enredos, e lugares onde se passam as estórias, percebemos que é em torno de um núcleo familiar que se desenvolvem a maioria dos conflitos e crises. E não só porque a famíla reproduz as relações de poder do sistema econômico, do mundo burguês.

Mas porque se pensarmos em termos de drama e experiência coletiva, filmar histórias sobre os laços afetivos, principalmente entre pais e filhos, maridos e esposas, irmãos e irmãs, ex-casais, madrastas ou padrastos e seus enteados, tem possibilitado aos roteiristas criar histórias originais que tem questionado hábitos, costumes e modos de pensar e agir tradicionais, ultrapassados da sociedade que persistem até hoje. Valores que necessitam serem transformados radicalmente para melhorar os indivíduos como seres humanos.

Conscientes de que a luta diária pela sobrevivência e os compromissos sociais tem disperçado cada vez mais os membros familiares, os roteiristas com sua imaginação criadora inspirada em uma genuína “consciência social”, impregnam as histórias com temas como casamentos em crise, traição, abandono de lar, divórcios, separações, violência doméstica, poder, pedofilia, hipocrisia, rebeldia juvenil, conflitos de interesse, solidão, culpas, insegurança social, relacionamentos na meia idade e abuso sexual.
O mundo está muito confuso, disperso, violento, individualista, competitivo e cheio de futilidades. As más tendências do ser humano como sua ambição excessiva, sua vaidade, seu egoísmo, seus vícios e seus preconceitos impedem que a sociedade funcione de maneira sadia. Acredito que a “convivência familiar” pode contribuir para esta transformação social, na medida em que educar seus membros para serem pessoas responsáveis e generosas, capazes de construir uma sociedade de base humanitária não mais baseada na exploração, no poder do dinheiro, na repressão e no autoritarismo. Mas transformar a sociedade pelo exercício do amor, da educação, da fé e pelo respeito ao próximo.
Posso dizer que gostei e aprendi muito com estes filmes. Seus diretores souberam valorizar muito bem os diálogos, os silêncios, a interpretação dos atores e atrizes, e principalmente “os espaços da encenação”, que em determinadas cenas mostravam o que se passava no íntimo das personagens. São filmes muito bem realizados com interpretações fortes e humanas. Os artistas foram muito generosos com seus personagens. Porque conseguiram com  suas atuações sinceras e viscerais, mostrar que apesar dos “dramas e crises dentro da família”, ela ainda é uma instituição forte, pois representa o espaço seguro, no qual seus membros ainda podem dividir seus bens, sonhos, rancores, segredos, alegrias, tristezas e se aperfeiçoarem como seres humanos para viver em harmonia e em sociedade.

Filmes sobre conflitos e relações familiares:

gente como a gente, depois do casamento, o quarto do filho, as leis da família, o primeiro que disse, o segredo do grão, a noiva síria, padre padrone, caos calmo, a pianista, paradise now, sonata de tókio, há tanto tempo que te amo, menina santa, fora da lei, ondas da paixão, três macacos, toda forma de amor, ao entardecer, o rei, propriedade privada, segredos e mentiras, meu pai uma lição de vida, cenas de um casamento, requiem para um sonho, até o fim, negócios de família, esta mulher é proibida, segunda pele, interiores, a flor do meu segredo, o psicólogo, a criança, faz de conta que eu não estou aqui, destinos cruzados, quando me apaixono, a lula e a baleia, a viagem, uma mulher sob influência, o casamento do meu ex, o que eu fiz para merecer isto, segunda feira ao sol, sonhando acordado, mar adentro,  transamérica, beleza americana, spider, mamãe é de morte, pecados íntimos, gilbert grape aprendiz de feitiçeiro, decálogo, o garoto da bicicleta, o peso da água, noites de tormenta, as virgens suicídas, voltar a morrer, caminhos violentos,  encurralada, quem tem medo de virginia woolf,  intersection uma escolha uma renúncia, rainhas, palavras de amor, caminhos da traição, bons costumes, precisamos falar sobre o kevin, a última ceia, quando foi que você viu seu pai pela última vez, juntos pelo acaso, o sonho de cassandra, hannah e suas irmãs, o pântano, a cor púrpura, a corrente do bem,
 o último suspeito,  invasão de privacidade, notas sobre um escândalo,  as idades de lulu, alice,  as pontes de madson, ela é o diabo,  os vigaristas, a casa dos espíritos, rocco e seus irmãos, medo, a casa de alice, a partilha, nossa vida não cabe num opala, o signo da cidade, feliz natal, contra todos, lavoura arcaica,  linha de passe,  à deriva, viva voz, a dona da história, desmundo, o ano em que meus pais sairam de férias, não por acaso, amores possíveis, muito gelo e dois dedos de água, baixio das bestas, se eu fosse você, a grande família, o caminho das nuvens, estranho amor, pai patrão, em nome do pai, império da paixão, esposamente, os boas vidas, na estrada da vida, amor e sedução, o  clube da felicidade e da sorte, a história de qui ju tempos de viver,  gran torino, sobre meninos e lobos, a força do destino, a separação, 21 gramas, tempestade de gelo, o segredo de brokeback mountain, billy elliot, crimes do coração,  uma lição de amor, coisas que perdemos pelo caminho,adivinhe quem vem para jantar, o império dos sentidos,  anticristo, flores partidas, quando o amor é cruel, mamma roma , eu meu irmão e nossa namorada, o sol tornará a brilhar, volver, tudo sobre minha mãe, amores brutos, frances, um ato de coragem, as horas, o que terá acontecido a baby jane, antes só do que mal casado, fim de caso, o último rei da escócia, as invasões bárbaras, o tempo de cada um, o despertar de uma paixão, acho que amo minha mulher,  quatro casamentos e um funeral, o jornal, instinto de vingança,a razão de meu afeto, ela vai ter um bebê,  meu trabalho é um parto,  harry e sally feitos um para o outro, em seu lugar, o poderoso chefão, forças do destino, o gosto dos outros, olhar de anjo, o grão, manhattan, tabu e 4 semanas  3 meses e 2 dias.
Leituras:
“Lições que a vida oferece”. Romance Mediúnico Psicografado por Eliana Machado Coelho.  Lumen Editorial. São Paulo. 2009.
“O que é Ficção”. Ivete Lara Camargos Walty. Editora Brasiliense. São Paulo.1986.
“ 25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira”. Organização e prefácio de Luiz Ruffato. Com contos de Tatiana Salem Levy, Lívia Garcia Rosa, Nilza Resende, Cecília Costa, Heloísa Seixas, Cíntia Moscovich e outras. Editora Record. São Paulo. 2004.

“Teoria do Drama Moderno”. Peter Szondi. Editora Cosac Naify. 2ª. Edição. São Paulo. 2011.

“Léxico do Drama Moderno e Contemporâneo”. Jean Pierre Sarrazac. Editora Cosac Naify. 1ª. Edição. São Paulo. 2012.
“Drama em cena”. Raymond Willians. Tradução de Rogério Bettoni. Editora Cosac Naify. 1ª. Edição. São Paulo. 2010.
“Cinema em código. Histórias para filmar”. Alexandre Lydia. Ima Editorial. 1ª. Edição.  2012.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Jornada Dupla

Estou apaixonada por cinema e me sinto muito motivada a estudar e traballhar com este formato. Principalmente com a direção e realização de filmes. Estou aprendendo a lidar com o “formato digital” e confesso que me sinto muito estimulada a escrever, dirigir e buscar recursos para produzir os filmes. O “formato digital”  tem viabilizado a produção de filmes no mundo, e tem possibilitado a muitas pessoas apaixonadas por cinema experimentar propostas estéticas alternativas para filmar com orçamento limitado. Como as filmadoras e câmeras digitais permitem gravar muitas imagens, o diretor tem muita liberdade criativa para inventar e acrescentar novas idéias que não estão impressas no roteiro. Ensaiando nas locações, ele pode pensar em maneiras diferentes de enquadrar uma mesma cena. Assistindo seu elenco improvisar no set, ele estimula a espontaneidade e talento de seus atores e atrizes, que trabalhando  de forma colaborativa, contribuem durante as filmagens com idéias e sugestões que podem não só  modificar ou acrescentar  cenas e diálogos ao roteiro como enriquecer os seus desempenhos. Há muitas histórias que quero contar e o formato digital vai me possibilitar estas experiências, viagens e conhecimentos. E também trabalhar como atriz na área de audiovisual. Vou prosseguir com os cursos livres de atuação para video e buscar também formação em cinema a nível técnico. Já escolhi a escola que oferece formação em dois anos. Tenho pressa. Tenho bons projetos que precisam sair do papel e serem realizados. Então estes cursos no momento são a melhor escolha.
Há uma moçada formada por jovens diretores independentes cujo trabalho ousado e criativo estou conhecendo melhor em festivais de cinema e que tem me inspirado e motivado a trabalhar duro na realização deste projeto. Entre eles estão Pedro Urano, Paulo Pons, Gustavo Spolidoro, Gustavo Beck, Marcelo Pedroso, Eduardo Valente, Felipe Bragança, Daniel Caetano, Ilana Feldman, Guto Parente, Sérgio Borges, Lila Rodrigues e Karine Ades, Cristiano Burlan, João Rocha e Renata Gabriel, Daniel Bandeira, David Mendes França, Petrus Cariry, Eryk Rocha, João Jardim, Gabriel Mascaro, Marcos Felipe, Marcial Renato e Daniel Matos. Estes jovens profissionais estão mostrando que é possível sim fazer cinema autoral, criativo e com qualidade mesmo quando se tem poucos recursos. Acompanho também com interesse o trabalho de dois jovens cineastas muito talentosos, Marco Dutra e Juliana Rojas. Seria uma honra trabalhar um dia com esta dupla de realizadores  paulistas formados pela ECA-USP. Fazer filmes de ficção em formato digital  significa ter um espaço para maior experimentação e liberdade criativa para inventar e não se deixar influenciar pelas velhas fórmulas televisivas.  A proposta é realizar filmes abertos, despojados e provocantes capazes de influenciar a audiência.
 Sobre gramática cinematográfica, enquadramento e realização de filmes:

130 Projetos para você aprender  a filmar. Elliot Grove. Tradução de Jeff Silva. São Paulo. Editora Europa. 2010.

Os cinco Cs da cinematográfia: técnicas de filmagem. Joseph V. Marcelli. Tradução de Janaina Marco Antonio. Revisão Técnica de Francisco Ramalho Jr. São Paulo. Summus Editorial. 2010.

Lendo as imagens no cinema. Laurent Jullier e Michel Marie. Tradução de Magda Lopes. Editora Senac. São Paulo. 2009

A linguagem secreta do cinema. Jean-Claude Carrière. Tradução de Fernando Albagli e Benjamin Albagli. Editora Singular Digital. 1ª. Edição. Rio de Janeiro. 2006.

Direitos autorais na obra cinematográfica. Ivana Crivelli. Editora Letras Jurídicas. 1ª. Edição. São Paulo. 2008.

Como ver um filme. Ana Maria Bahiana. Editora Nova Fronteira. São Paulo. 2012.

A linguagem de cinema. Marcel Martin. Editora Brasiliense. São Paulo. 2ª. Edição. 2009.

O cinema metafísico de Robert Bresson. Thiago L.C. Pereira e Carlos Frederico Gurge Calvet. Editora Batel. 1ª. Edição. Rio de Janeiro. 2011.

Cinco mais cinco. Os maiores filmes brasileiros em bilheteria e crítica. Carlos Diegues, Luis Carlos Merten, Rodrigo Fonseca. Organizador Marcos Didonet.  Legere Editora. São Paulo. 1ª. Edição. 2007.

5 X Favela. Agora por nós mesmos. Organizado por Paola Barreto e Izabel Diegues. Editora Empório do Livro. São Paulo. 2010.

Curtas Extraordinários. Russel Evans. Tradução de Edson Furmankiewicz. Editora Campus. 1ª. Edição.  Rio de Janeiro. 2010.  

O Roteiro de Cinema. Michel Chion. Editora Martins Fontes. São Paulo.1989.

Roteiro de cinema e televisão. Fávio de Campos. Editora Zahar. São Paulo. 1ª. Edição.  2007.

Lições de Roteiristas. Kevin Conroy Scott. Tradução de Angelica Coutinho e Beatriz Pena Vogel. Editora Civilização Brasileira. Rio de Janeiro.  2008.

Imagens. Bergman. Tradução de Alexandre Pastor. Editora Martins Fontes. 2ª. Edição. 2001.

Conversas com Pedro Almodovar. Frederic Strauss. Tradução de Sandra Monteiro e João de Freire. Editora Zahar. São Paulo. 2008.

Walter Salles. Uma Entrevista. Carlos Helí de Almeida. Editora Design Azul. Rio de Janeiro. 2002.

Final Cut Pro 7. O Guia Oficial. Coleção Tech Midia. Rick Young. Tradução de Daniel Vieira. Editora Campus. 1ª. Edição. Rio de Janeiro. 2010.


Coleção Cinema Europeu da Folha de São Paulo. 25 livros - dvd´s.