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“Esta noite
não falo como autor e nem como poeta; e nem como estudante sensível e
conhecedor da vida do homem; mas como um ardente apaixonado pelo teatro. Creio
sinceramente que o teatro não pode ser outra coisa que emoção e poesia, na
palavra, na ação e no gesto. O teatro é um dos mais expressivos e úteis instrumentos para a educação
de um país e de um povo. Um teatro sensível e bem orientado em todos os seus
ramos, desde a tragédia ao vaudeville pode mudar em poucos anos a sensibilidade
de um povo. O teatro é uma escola de choro e de riso, uma tribuna livre onde os
homens podem expor evidências morais, velhas ou equivocadas, e explicar com
exemplos vivos normas internas do coração
e do sentimento da homem.O teatro sempre foi minha vocação.Dei ao teatro muitas
horas de minha vida.Tenho uma concepção de teatro de certa forma pessoal e
resistente.O teatro é a poesia que se levanta do livro e que se faz humana.E ao
fazer-se humana, fala, grita, chora, ri
e se desespera.O teatro necessita de que os personagens que aparecem em cena
tenham roupagem de poesia e deixem ao
mesmo tempo, seus ossos e seu sangue. Os personagens tem de ser tão humanos,
tão horrorosamente trágicos e ligados a vida, com uma força tal, que mostrem
suas traições, que se apreciem suas dores, e que saia dos lábios toda a valentia de suas palavras, cheias de
amor e de ódio”.
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“ A arte tem
que estar acima de tudo. E vocês, queridos atores, artistas acima de tudo,
artistas dos pés a cabeça, posto que por amor e devoção é que vocês subiram ao
mundo fingido e doloroso do palco, do teatro. Artistas por preocupação e
ocupação. Desde o teatro mais modesto ao mais burguês, se deve escrever a
palavra arte nas salas e camarins. Porque se não escreveremos comércio ou outra
coisa que não me atrevo a dizer.Teatro é hierarquia, disciplina, sacrifício e
amor”.
“As vezes
quando vejo o que se passa no mundo, me pergunto:
- Para que
escrevo?
Mas há que
trabalhar, trabalhar. Trabalhar e ajudar ao que merece. Trabalhar ainda que, às
vezes, pense que realiza um esforço inútil.Trabalhar como uma forma de
protesto. Porque meu impulso seria gritar todos os dias ao despertar em um
mundo cheio de injustiças e misérias de toda ordem:
- Protesto!
Protesto !
Neste mundo
eu sou e sempre serei partidário dos pobres. Eu sempre serei partidário dos que
não tem nada e até a tranquilidade do nada se lhes nega. Nós - me refiro aos homens de significação
intelectual e educados no ambiente médio das classes que podemos chamar de
acomodadas – estamos chamados ao sacrifício, aceitemo-lo”.
Federico
Garcia Lorca
(Junho de
1936)