domingo, 30 de outubro de 2011

Inspirações lorquianas


Em 2006 me formei em teatro. Encerrei o curso técnico de ator que durou três anos com a montagem do espetáculo “Yerma, um experimento”. Tive também a sorte e a oportunidade de experimentar o universo de Federico Garcia Lorca sendo dirigida por Jamil Dias. Um diretor teatral muito criativo, talentoso, apaixonado pelo seu ofício, e um dos diretores mais democráticos com quem já trabalhei. Foi um processo de trabalho intenso. Exigente. Jovens profissionais, nos apresentamos com o nosso idealismo, garra e paixão ao exercício cênico. Abraçando os desafios que esta montagem exigia em sua feitura para traduzi-la para a platéia brasileira de nossos dias.   
Na época, já estava desenvolvendo meu segundo projeto de dança inspirado em Lorca, e graças ao Jamil vivenciei no teatro o que era ser uma mulher lorquiana em toda sua plenitude, desejos reprimidos, força terrena e feminilidade. 
Na verdade, este espetáculo concebido para o estágio profissional, foi uma releitura da primeira montagem de “Yerma” que já tinhamos realizado no segundo semestre de 2005. Embora, tenha continuado na segunda montagem um espetáculo teatral de crítica à moral burguesa e à intolerância, nosso diretor nos deu a possibilidade de construir coletivamente um espetáculo cênico forte visualmente, carregado de erotismo, mas político, e muito inspirado no surrealismo e nas imagens poéticas que predominam nos textos do autor granadino. 
Assim, o espetáculo se construiu em um palco praticamente nú, apioando-se principalmente na expressão corporal de seus atores e atrizes (corpo, voz, emoção, e poucos adereços) buscando na movimentação do elenco um caráter e uma precisão cênica quase coreográficos, exercitando também características da tragédia (como a dimensão grandiosa das personagens, a presença de coros), passando também por contribuições de grandes momentos da História do Teatro (como a fusão do grotesco e sublime, e o equilíbrio entre o trágico e cômico).
Colocamos em cena então, a história de uma mulher condenada à infelicidade de uma existência estéril, casada por imposição dos pais com um homem incapaz de lhe dar afeto, carinho e compreensão, num ambiente rural, marcado por uma poesia rude e telúrica em que a fecundidade femenina é um valor extremamente importante e serve como contraponto a uma sociedade machista e repressiva.
Realmente, o teatro é paixão, é vocação, é sacrifício, é amor, é doação pela e para a arte. Deixei a escola acreditando no teatro como um instrumento pedagógico de reflexão do homem e da sociedade, capaz de mudar o mundo e transformá-lo.
Sempre que vejo estas fotos sinto saudades da minha escola, a Recriarte.  Sinto saudades dos amigos e amigas, da rotina das aulas e ensaios, das brincadeiras e avaliações.
Estou com saudades dos meus professores, mestres, amigos queridos que muito me ensinaram, muito me incentivaram a lutar pelos meus objetivos artísticos e profissionais. A Recriarte foi minha segunda família.
Sinto  muito SAUDADES de tudo e todos.
YERMA - UM EXPERIMENTO
Teatro do Ator
(2006)







 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 






 
 











 










 



Etiqueta na Web

 
Decidi esta semana reiniciar as postagens justamente com dois temas que me ausentaram do blog desde o dia 04 de outubro: direitos autorais e  superexposição  na web.
Já deixei claro em uma das postagens porque pertenço hoje a blogsfera. Como quero compartilhar mais conteúdos e informações sobre artes, cultura, literatura e a profissão de ator/atriz, me agrada a possibilidade de incrementar o blog enriquecendo estas postagens com fotos, imagens e videos. Porém, tornar público o que for relevante e interessante para ilustrar os temas, separando muito bem o profissional do pessoal e privado.
E para não cometer o erro de publicar material e conteúdo de outros autores, respeitando os direitos que lhes cabe , procurei entender e me informar melhor sobre direitos autorais e como respeitá-los. Uma postura dificil de abraçar devido a imensa quantidade de informações e imagens que a internet disponibiliza.
Consultando textos, artigos, livros  e matérias em sites jurídicos sobre o assunto, notei que regras e leis que regulam os direitos de autor são na maioria dos casos severas. Mas não são respeitadas. Pelo que entendi o correto é acessar o conteúdo só para ampliarmos e enriquecermos  os nossos conhecimentos sem modificar ou reproduzir o original respeitando assim sua integridade.  Agora, se decidirmos reproduzir o conteúdo dar o crédito ao autor do texto ou conseguir uma autorização dele  para usar arquivos de sua autoria.


Com relação a imagens (fotos, desenhos, pinturas etc), o correto é acessar  sites que disponibilizam este material  gratuitamente sem a necessidade de pagar direitos autorais. Basta consultá-los, ler os termos confirmando o serviço, e salvar um cópia. É  correto também perguntar por e-mail e guardar a resposta como uma garantia e prova de autorização de uso do conteúdo do site.
No site domínio público (uma biblioteca virtual) é possível encontrar arquivos (fotos, imagens textos, sons e videos) que já foram cedidos por seus autores para divulgação gratuita. Há também muita informação e arquivos como teses e dissertações para enriquecer nossos conhecimentos.
Com relação ao segundo tema, minha  opinião é mais pessoal. Tenho recebido de conhecidos  e até pessoas que não conheço, muitos e-mails com convites para me inscrever em redes sociais como o facebook, orkut, linkedin, mas até agora não consegui realizar esta  façanha. E o motivo é simples. Não me agrada a superexposição na web.
Sou uma pessoa que  nunca se preocupou  ou deu a mínima importância para opiniões ou julgamentos alheios, mas confesso que depois de ler e saber sobre muitos escândalos virtuais, acho que devemos sim redobrar nossa atenção com o material que decidirmos expor na internet. Enfim, tornar público o que for relevante para a comunidade on line e que não possa nos comprometer se este material for usado fora do contexto original. Por este motivo, no momento estou privilegiando ter só o blog. 

Leituras:
“Direitos Autorais”. Pedro Paragua. Editora FGV. 1ª. Edição. São Paulo.2009.
“Propriedade Imaterial. Direito Autoral”. Eliane J. Abrão. Editora SENAC São Paulo. 1ª. Edição. 2006
“A Lei dos Direitos Autorais”. Plinio Cabral. Editora Rideel. São Paulo. 5ª. Edição. 2009.
“Direitos Autorais na Internet e o uso de Obras”. Sérgio Vieira Branco Junior. Editora Lumen Juris. Rio de Janeiro. 1ª. Edição. 2007.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Mais cinema.



Quero comentar também que há no filme TOOTSIE um ótimo exemplo de função metalinguística. A função metalinguística vai ocorrer sempre que a linguagem falar dela mesma, ou seja, o próprio código é o tema de análise.

Então, inspirada no filme decidi criar um monólogo metalinguístico em que falava da profissão de ator e das dificuldades em fazer valer o ponto de vista de uma atriz ainda desconhecida do grande público. 
Um filme cujo tema é a própria realização cinematográfica como em “A Noite Americana” emprega esse recurso explicitando quais os procedimentos técnicos e artísticos utilizados na construção de um filme.  Eu adoro filmes metalinguistícos. Filmes que uma vez ou outra acabam discutindo o próprio tema ou universo do próprio filme. 


Alguns filmes metalinguísticos geniais que já assiti: a má educação/fale com ela/ tudo sobre a minha mãe e a lei do desejo de pedro almodóvar, a mulher do tenente francês, dublê de corpo, shakespeare apaixonado, tootsie, maria, a rosa púrpura do cairo, os embalos de sábado á noite, um viúvo em ponto de bala, noite de estréia, cinemaníaco, a malvada, adorável julia, encontro com vênus, crepúsculo dos deuses, os picaretas, lope, marquise, all that jazz, flashdance. E há muitos outros filmes que utilizam o mesmo recurso linguístico.

O cinema inspira a vida e se nutre dela

Muita gente acha que o cinema hoje é só entretenimento.  Que por causa dos negócios que dominam o meio artístico, o cinema perdeu a sua função social de melhorar o mundo e nos fazer acreditar mais no espírito humano. No altruísmo das pessoas. Eu não tenho essa visão. Considero o cinema uma fonte de inspiração para a vida. Apesar da barreira de linguas e as diferentes culturas retratadas nos filmes, o cinema é uma arte que possibilita entender o mundo como consequência das relações sociais. Aprendo muito assistindo a filmes. O cinema é uma arte universal que não tem nacionalidades, porque seu idioma é o comportamento social. É o ser humano aprendendo a viver em sociedade. É o ser humano entendendo e se desentendendo com o mundo. Aprendemos muito assitindo a um bom filme, porque expandimos nossa percepção verbal e não verbal.


O cinema possibilita ver e repensar a realidade em que vivemos, quando testemunhamos os conflitos humanos que ocorrem dentro das sociedades divididas em classes. E muitas vezes o cinema até estimula nossa luta diária em busca de nossos objetivos, porque está cheio de histórias de esperança, motivação, liderança, persistência, empreendedorismo e lições de como vencer as dificuldades da vida e ser vitorioso.

Uma das histórias mais bonitas que me lembrei agora é a história de Henri Charriere que foi retratada no filme PAPILLON. Quando assisti PAPILLON tinha 16 anos e nunca mais esqueci. É a história comovente de um homem condenado à prisão perpétua por assassinato. Obcecado em ser de novo um homem livre, Papillon fica tentando fugir da prisão até que consegue.  Um filme muito bonito e estimulante que tem muito conteúdo motivacional.
Gosto muito de usar o cinema como um recurso pedagógico em minhas atividades diárias, escolares e profissionais, por causa da possibilidade material que esta arte tem de ampliar nossos conhecimentos e habilidades.

Assistindo um bom filme como “O Albergue Espanhol” é possível estudar e conhecer bem melhor o idioma de um país, conhecer lugares e sua cultural local e regional.

Sei também que muitas vezes já culparam o cinema de promover e estimular a violência, o racismo e até modismos. Mas acredito que a culpa não é do cinema. E sim de pessoas que assistem filmes e não são capazes de formar e ter uma opinião mais concreta sobre a realidade e saem por aí fazendo bobagens e comentendo crimes.    Eu me inspiro muito no cinema, no teatro, na música, nas artes plásticas e na literatura para ser uma pessoa motivada para trabalhar, viver, criar e desenvolver projetos artísticos e profissionais. Por exemplo, para criar um texto para meu monólogo de atriz me inspirei no cinema.  Busquei inspiração no personagem de um filme. No personagem/ator MICHAEL DORSEY do filme TOOTSIE, interpretado pelo talentoso ator Dustin Hoffman. Dustin Hoffman interpreta um ator cuja natureza meticulosa, exigente, valores éticos e teimosia o tem afastado de trabalhos em Nova York. MICHAEL DORSEY ama sua profissão. Tem princípios e valores profissionais nos quais acredita firmemente e que o fazem se desentender e muito com o seu agente. Desempregado como ator acaba conseguindo um papel femenino em um seriado de TV, usando o talento que sabe ter e sem abrir mão de seus valores profissionais, éticos e artísticos.  O filme conta a história de um ator em busca de trabalho, as dificuldades que encontra pelo caminho para consegui-lo, e mostra ainda os bastidores da produção de uma série de televisão. Por ter me identificado muito com o personagem e sua luta para conseguir trabalho, me inspirei neste filme e criei a minha cena. Uma atriz com gênio forte que está passando pela mesma situação. 

 Assisti o filme Tootsie e creio que é impossivel a um ator que batalha pelo seu espaço e reconhecimento no meio artístico não se identificar com a luta, valores e a postura do ator Michael Dorsey. Sabemos que ser um ator de verdade não tem nada a ver com ser uma celebridade ou uma estrela de cinema e televisão nos Estados Unidos. É mesmo muito difícil conquistar um espaço nesta profissão em qualquer lugar do mundo. Não só devido á competição, mas muitas vezes porque é difícil conciliar valores pessoais e artísticos com dinheiro e negócios. Eu mesma já abri mão de oportunidades que embora me garantissem um bom rendimento, não tinham nada a ver com a satisfação de realizar um bom trabalho artístico. Michael Dorsey é um ator de teatro batalhador, culto, experiente e muito talentoso. Acredito que tendo formação teatral e tendo tido contato com grandes teorias do teatro está mais preocupado em ter amadurecimento e realização profissional do que ter fama, dinheiro e visibilidade.
Também assisti a entrevista do ator Dustin Hoffman sobre a realização do filme Tootsie que está nos extras do dvd, e fiquei muito emocionada com o depoimento deste grande ator, fiquei emocionada de ver a  maneira como ele  encara a profissão artística, sentir sua paixão e dedicação a arte  da representação, ver o quanto ele ama o seu ofício. EU me sinto muito orgulhosa de pertencer a esta classe profissional, porque apesar de todas as dificuldades da profissão nunca desistimos do ideal artístico.
O cinema é realmente uma arte inspiradora para se aprender a viver.
Ainda este mês vou falar dos principais motivos que me levaram para profissão de atriz: os filmes altruístas de frank capra, o cinema politico da década  de 70 e o ator dustin hoffman cujo trabalho eu admirava desde lenny e liberdade condicional.